Crítica | A Qualquer Custo

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Estréia: 02/02/2017

Indicado a três Globos de Ouro e forte candidato para a temporada do Oscar, A Qualquer Custo surge com grande elenco e um ar de filme pequeno, para apresentar uma trama extremamente bem amarrada e gostosa de acompanhar, ainda que não muito surpreendente.

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No filme, dois irmãos, um ex-presidiário e um pai divorciado com dois filhos, perderam a fazenda da família em West Texas e decidem assaltar um banco como uma chance de se restabelecerem financeiramente. Só que no caminho, a dupla se cruza com um delegado, que tudo fará para capturá-los.

A Qualquer Custo é um típico faroeste moderno, que reúne vários elementos do gênero, adaptados a nossa realidade atual. O diretor David Mackenzie se vale do regionalismo para resgatar esse estilo outrora esquecido em Hollywood. É como os longas filmados no nordeste aqui do Brasil, cheio de sotaques e maneirismos como a clássica expressão “Goddammit”. O Texas tem um estilo muito próprio, desde de suas paisagens abertas com semi-desertos até questões de características da população (como andar armado ou ter um jeito rude de tratar as pessoas). O roteiro também se aproveita disso para mostrar as entranhas dos Estados Unidos, longe dos locais descolados que estamos acostumados a ver nos cinemas (Nova York, Califórnia e etc), a “terra dos cowboys” é um tanto parada no tempo e, fazendo um paralelo com um tema atual (não citado no filme), é o tipo de lugar onde estão concentrados os eleitores do polêmico Donald Trump, um povo bastante conservador e saudosista, que não gosta de muitas alterações em suas rotinas, e são um retrato bastante fiel do estilo velho oeste.

A edição de som é fantástica, aumenta a intensidade das cenas de assalto e as transforma em sequências assustadoramente imersivas. O filme também conta com uma trilha sonora de rara felicidade, bem contextualizada e  , obviamente, baseada rock old school e na country music americana.

Para funcionar, A Qualquer Custo tem um time de protagonistas fortes e bem desenvolvidos, que incorporam cada um, uma figura tipica do gênero faroeste, porem cheios de simbolismos e leituras complexas. O ganhador dos Oscar (e concorrente do Globo de Ouro desse ano), Jeff Bridges, é o velho xerife se preparando para aposentadoria, repleto de falas politicamente incorretas, mas muita sabedoria, para desvendar seu último caso. No contraponto, dois bandidos carismáticos com seu próprio
código de ética e excelentes motivações, que nos dividem entre o que é certo e errado no filme. Esses interpretados por Ben Foster (Assassino a Preço Fixo), um descontrolado ex-presidiário, que lembra o Pinkman da série Breaking Bad, e o surpreendente Chris Pine (do ótimo Star Trek – Sem Froteiras, relembre aqui), sofrido e amargurado, sem as nuances de humor que estamos acostumados, e com uma atuação de extrema importância para o resultado final.

Enfim, repleto de diálogos ácidos e sub-textos bem escritos, A Qualquer Custo transcorre de forma muito natural e orgânica,  flertando ate com um humor bastante sarcástico. Se o inicio do filme dá mostras de um tenso filme de assaltos, o desenvolvimento é mais complexo. Comandando uma narrativa simples, Mackenzie faz você entender o real contexto da vida dos protagonistas, com violência seca e uma forma brutal de mostrar os extremos das pessoas e como elas chegam até eles… Confira nossa “Chuck Nota” e o trailer logo abaixo.



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