Crítica | 7 Minutos Depois da Meia – Noite

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Costumo dizer que determinados filmes podem despertar percepções diferentes, dependendo da sua relação com o tema, mas existem histórias que tocam qualquer pessoa, independentemente do seu estado de espírito. Esse é o caso de Sete Minutos Depois da Meia Noite, filme inspirado no livro homônimo de Patrick Ness, que é um bela mostra daquele velho conceito “não julgue o livro pela capa” ou nesse caso, pelo nome.

O longa traz a história de Connor O’Malley (Lewis MacDougall), um garoto que se sente invisível. Sua vida é cheia de problemas: a mãe (Felicity Jones) enfrenta um câncer, a avó (Sigourney Weaver) não gosta muito do neto, seu pai está sempre ausente (Toby Kebbell) e os seus colegas de escola não o deixam em paz. Seu único amigo é um monstro-árvore (Liam Neeson), com quem se encontra todas as noites para contar e ouvir histórias.

O filme começa bastante morno e, de certa forma, até um pouco “infantil”. A genérica premissa, engana os desavisados (que não conhecem o livro, como era o meu caso), pois o desenrolar do longa apresenta uma realidade completamente oposta.

Sete Minutos Depois da Meia-Noite se disfarça de filme de fantasia, tem nome de filme de terror, mas quando observado de perto é, na verdade, um filme bastante tocante, emocional, do tipo de que mexe com você. Há um excelente uso dos simbolismos para representar os confusos sentimentos do garoto protagonista. O roteiro bem amarrado, de responsabilidade do próprio autor do livro, traça um paralelo da fantasia do tal “monstro” com as reações do menino Connor, que o usa como uma válvula de escape, uma justificativa para extravasar todas as suas frustrações, e o espectador só entende essa rica construção de personagem mais próximo do final filme.

Imagem do filme Sete Minutos depois da Meia-Noite (A Monster calls)

O longa espanhol (apesar do elenco, não é uma produção americana), carrega na trilha sonora, às vezes com certo exagero para o melodrama. Na contramão, surpreendentemente, acerta quanto a parte estética, com efeitos visuais de bom gosto e bem executados, assim como um design de produção e fotografia que focam numa paleta de cores mais escura, acinzentada, que combina perfeitamente com o momento do protagonista. Lembra em alguns momentos o estilo dos filmes de Tim Burton, inclusive, próximo do recente Lar das Crianças Peculiares ou do clássico anos   O Jardim Secreto (de Agnieszka Holland).

O elenco com nomes de peso traz Felicity Jones (Rogue One: Uma História Star Wars, confira a crítica aqui) numa área de drama bem confortável para ela e uma  Sigourney Weaver (Alien – O Oitavo Passageiro), envelhecida e entregando algum peso a avó do filme. O longa também conta com Toby Kebbell (Planeta dos Macacos, Warcraft), que continua melhor na captura de movimentos do que de frente para câmera de cara limpa e o garoto Lewis MacDougall (Peter Pan), que oscila, mas tem ótimos momentos no filme.

Enfim, Sete Minutos para Meia-Noite, é um longa surpreendente e marcante que te faz sair da sessão pensativo e com uma sensação anestesiante, sobre como às vezes é preciso assumir que seu lado humano fala mais alto do que os  “monstros” criados por ele… Confira o trailer e nossa “Chuck Nota” logo abaixo…



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