Crítica | Alien: Covenant

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Ridley Scott está de volta ao universo pelo qual é mais conhecido, e traz consigo uma vontadeimparável de resgatar a ideia inicial de tensão e terror de Alien: O Oitavo Passageiro. Com um filme mais agitado e menos conceitual do que Prometheus, o diretor consegue entregar em Alien: Covenant um ajuste de rumo de sua nova trilogia e retornar ao caminho que parece ter sido pensado mas não executado na época de Prometheus.

Em Alien: Covenant, viajando pela galáxia, a nave colonizadora Covenant tem por objetivo chegar ao planeta Origae-6, bem distante da Terra. Um acidente cósmico antes de chegar ao seu destino faz com que Walter (Michael Fassbender), o andróide a bordo da espaçonave, seja obrigado a despertar os 17 tripulantes da missão. Logo Oram (Billy Crudup) precisa assumir o posto de capitão, devido a um acidente ocorrido no momento em que todos são despertos. Em meio aos necessários consertos, eles descobrem que nas proximidades há um planeta desconhecido, que abrigaria as condições necessárias para abrigar vida humana. Oram e sua equipe decidem ir ao local para investigá-lo, considerando até mesmo a possibilidade de deixar de lado a viagem até Origae-6 e se estabelecer por lá. Só que, ao chegar, eles rapidamente descobrem que o planeta abriga mistérios e perigos desconhecidos, dos quais talvez não possam escapar.

AlienO longa se mostra rapidamente uma mistura de remake de Alien: O Oitavo Passageiro, com um reboot da franquia reiniciada em Prometheus, filme que ficou longe de ser uma unanimidade. Aos poucos, Alien: Covenant vai reconstruindo a história de uma forma muito semelhante ao anterior, com cientistas e exploradores sendo levados ao perigo por sua curiosidade e tendo de lidar com as consequências dela, mas dessa vez, tudo é feito com uma lógica mais redonda, com menos firulas. O filme vai beber diretamente da fonte de Alien: O Oitavo Passageiro, buscando inclusive sua candidata a Sigorney Weaver, a atriz Katherine Waterston (Animais Fantásticos e Onde Habitam), que tem estilo, mas não tanto carisma quanto a protagonista original.

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Ridley Scott não consegue emular o suspense do clássico de 1979, mas em contrapartida, traz de volta o terror a franquia. Ele nos faz ter novamente aquela sensação angustiante de repulsa aos “pequenos” seres alienígenas, e não economiza em sangue e cenas fortes para mostrar que sua franquia não é para crianças. É interessante, ver também como Ridley resgata a ideia de não humanizar seus seres extraterrestres ao colocar um perfil mais instintivo nos Aliens, que claramente tem inteligência, porém, a utilizam para um instinto de sobrevivência visceral e brutal, livre de qualquer emoção. O obstáculo para diretor  é superar a dificuldade em se decidir sobre o terror de ação do Oitavo Passageiro, ou os temas carregados e presunçosos de Prometheus, e o longa claramente se sai muito melhor quando relembra o clássico dos anos 70, do que quando tenta conversar com o filme de 2012.

Além da retomada de caminho, o filme também serve como um bom terceiro ato para a desastrosa reta final de Prometheus, tornando-o o antecessor um filme melhor, é como se Alien: Covenant mostrasse um final alternativo. No entanto, Covenant ainda traz alguns problemas de roteiro no que diz respeito as escolhas inexplicáveis de alguns personagens, que parecem servir apenas como trampolim para a história seguir em frente, assim como a presença do “acaso” constante para mudar o rumo dela. Por causa disso, as viradas não são tão surpreendentes e servirão, a longo prazo,  quando muito para entendermos a construção de personagens. Nesse quesito o destaque continua sendo Michael Fassbender, que mesmo beirando o exagero consegue trazer alguma originalidade ao seu Andróide, que mantém um ar de mistério sobre sua capacidade e até mesmo intenções, já que elas parecem se desenvolver aos poucos indo totalmente contra a ideia inicial do robô.

A ação do filme é de arrepiar, as cenas são bem pensadas e o envolvimento do Alien torna-se um atrativo especial, já que é mais difícil saber o que eles farão ou como farão. Nesses momentos sentimos a excelente edição de áudio (digna de Oscar), que faz você escutar com perfeição cada nuance e “textura” dos cenários. A sala de cinema muitas vezes irá se tornar uma grande caverna e você ouvirá, como se fosse ao seu lado, gosmas deslizando, gotas caindo e tudo mais que que eles consigam usar para ativar seus sentidos. Outro destaque também fica para o design de produção, que traz modernidade e criatividade nos objetos e naves, resgatando uma das qualidades de Prometheus e corroborando para uma sensação de curiosidade sobre como funciona o sistema natural de outro planeta.

Enfim, Alien: Covenant é um terror de ação eficiente e certeiro, que foge do estilo “cinema contemplativo”, para apostar no escapismo e na capacidade de aterrorizar que seus protagonistas (Os Aliens), carregam consigo desde que Ridley Scott resolveu dar vida a essa ideia e colocar alguns olhos para fechar nas salas de cinema… Confira o trailer e nossa “Chuck Nota” logo abaixo…



 

 

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