Crítica | Os Meninos que Enganavam Nazistas

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As sempre interessantes histórias de como ser judeu durante a Segunda Guerra Mundial merecem nossa atenção, não só pelo contexto histórico, mas pelos tons surreais de cada passagem. “Os Meninos que Enganavam Nazistas” já tinham ganhado uma adaptação para os cinemas em 1975. Esse novo filme já começa com uma entrada triunfal em cena do pequeno Joseph (Dorian Le Clech), vindo do alto de uma ladeira em Paris, vitorioso numa cidade que já havia sofrido muito com a guerra. Com uma paleta de cores diferente do que costumamos ver em filmes do tipo, fica claro que o longa tem mais foco na jornada de crescimento dos meninos, do que nos terrores que os judeus tiveram que presenciar (ou fazer parte).

No filme, durante um período de ocupação nazista na França, os jovens irmãos judeus Maurice (Batyste Fleurial) e Joseph (Dorian Le Clech) embarcam em uma aventura para escapar dos nazistas. Em meio a invasão e a perseguição, eles se mostram espertos, corajosos e inteligentes em sua escapada, tudo com o objetivo de reunir a família mais uma vez.

Vários filmes sobre os acontecimentos da época já foram produzidos desde a queda do líder nazista, o que torna muito difícil trazer algo realmente inovador para essas histórias. E é justamente o que esse filme não tentou fazer, a linha do longa tenta suavizar os problemas da época com uma aventura infantil, difícil de imaginar naquele momento.

Os nazistas são mostrados de uma forma simplificada, com um vilão base, tipicamente impiedoso e desconfiado. Ao mesmo tempo que isso funciona para criar um filme familiar, também tira muito do peso dramático da história, já que em meio a segunda guerra mundial, uma dupla de meninos judeus teria muito mais problemas para se preocupar do que um coronel perseguidor.

Os atores, Dorian Le Clech e Batyste Fleurial, ambos iniciantes, são extremamente carismáticos, Dorian, com expressões muito fortes, inclusive tendo uma cena de impressionar no ápice do filme.

A fotografia acompanha o clima do filme, ficando mais clara nos momentos alegres. Aliás, a alegria que sobe com a notícia de que Paris ficou livre da invasão é realmente contagiante, num trabalho grandioso de construção de sentimento, que é um dos pontos altos da direção do filme. São vários os momentos comoventes, principalmente os que são ligados a forma como os meninos tem que aprender na raça como não assumir que são judeus.

Enfim, “Os Meninos que Enganavam Nazistas” é despretensioso, com enredo encantador, história bem contada, carecendo de alguns ajustes para tornar-se um filme mais marcante sobre Segunda Guerra Mundial. No balanço geral, é um longa que compensa certa falta de ousadia com uma história agradável e redonda, que funciona também como boa ferramenta de divulgação para o livro, onde as pessoas matarão a curiosidade de mais detalhes sobre a história real. Confira o trailer e nossa “Chuck Nota” logo abaixo…



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