Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra

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O fim de uma das trilogias mais aguardadas e elogiadas do últimos anos já está nos cinemas e é o melhor equilíbrio entre um blockbuster e um filme com altas (e boas) doses de filosofia, que não entrega todo o jogo em seus materiais de divulgação.

Em “Planeta dos Macacos: A Guerra”, após os acontecimentos do segundo filme desencadeados pelo macaco Koba, César e seus macacos são forçados a um conflito mortal contra um exército de seres humanos liderados por um Coronel implacável. Depois que os macacos sofrem perdas inimagináveis, César luta contra seus instintos mais escuros e começa sua própria busca mítica para vingar sua espécie. À medida em que a jornada finalmente os coloca cara a cara, César e o Coronel se enfrentam em uma batalha épica que determinará o destino de suas espécies e o futuro do planeta.

O filme tem um ar quase messiânico, César está próximo de ser um profeta clássico, capaz de produzir “milagres” psicológicos em seus seguidores. A essa altura a lenda de César já é maior do que a presença física do personagem. “Planeta dos Macacos: A Guerra” mostra o amadurecimento da franquia, nele a jornada de César se encaminha para um encerramento com um personagem muito diferente do que vimos no primeiro longa, inclusive por sua rendição aos sentimentos mais humanos de vingança, algo que chega a aproximá-lo do macaco Koba, “culpado” pela situação insustentável entre macacos e humanos.

Uma das características da franquia é que ela não tem vilões propriamente ditos, mesmo que muitos os entendam assim, tanto Koba no último filme, quanto o Coronel neste longa são basicamente antagonistas, com marcas geradas no caminho que os fazem ter atitudes drásticas. Nesse sentido, o ótimo Woody Harrelson (Zumbilândia), se encaixa perfeitamente no que o Coronel precisa, um personagem dúbio e imprevisível, o líder de uma humanidade em declínio que já não consegue controlar o próprio destino.

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Pela primeira vez a franquia aposta em um alívio cômico, que ao contrário do que parece, funciona perfeitamente. Com um personagem inesperado, mas que em nenhum momento parece deslocado. Méritos do diretor Matt Reeves (futuro diretor do filme solo do Batman). Um contador de histórias típico, que usa os artifícios técnicos para criar uma boa plataforma para o roteiro e principalmente para o desenvolvimento dos personagens, tanto em O Confronto quanto a A Guerra, com um trabalho praticamente irretocável.

Woody Harrelson, coronelO filme tem menos ação que o último, mas quando ela surge, traz momentos marcantes, em sua maioria dramatizados por uma câmera lenta menos pesada que as de Zack Snyder ou Michael Bay, e combinada com uma fotografia e direção de arte desoladoras, que exploram a tela em branco formada pela neve.  As cenas de guerra lembram algo tribal, é difícil não torcer indiretamente para os símios que parecem mais fracos e apenas desesperados para se defender, enquanto se escuta a trilha sonora incidental não muito surpreendente, mas competente composta por Michael Giacchino, o atual queridinho da Marvel.

Os efeitos visuais estão ainda mais incríveis, num nível de realismo inacreditável, macacos ainda mais expressivos, com um destaque especial para o orangotango Maurice, que é “vivido” pela atriz Karin Konoval, as texturas e pêlos desse macaco são inexplicavelmente reais. Transborda a diferença brutal do trabalho da produtora Weta, que tem em seu portifólio filmes como O Senhor dos Anéis e Avatar.

Enfim, o filme tem tons de jornada de vingança no Velho Oeste clássico, pitadas de filme bíblico e até as referências a segunda guerra mundial como os campos de concentração e liderança doutrinadora, já exaustivamente utilizadas no cinema. Ainda é interessante ver como a franquia prepara terreno para o que vimos no clássico de Charlton Heston, em 1968, com os Macacos dominando a terra, mas com a sensibilidade de deixar claro que essa “evolução” não aconteceu por um esforço deles (macacos), e sim pela falta de capacidade de auto preservação dos seres humanos, que conseguem tornar os símios aos poucos mais humanos e lógicos do que eles mesmos… Confira o trailer e nossa “Chuck Nota” logo abaixo…



 

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