Crítica | Kingsman: O Círculo Dourado

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Alguns anos atrás poucas pessoas ousariam dizer que Kingsman, um filme aparentemente “inofensivo”, conquistaria a crítica e público, e ganharia uma continuação recheada de astros de Hollywood. Fato é, que aconteceu, e “Kingsman: O Círculo Dourado”, chega aos cinemas no fim do mês cercado de expectativas e com pretensões de ser um dos grandes blockbusters de ação do ano.

No filme, um súbito e grandioso ataque de mísseis praticamente elimina a agência Kingsman. Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong), então partem para os Estados Unidos em busca de ajuda na Stastesman, uma organização secreta de espionagem onde trabalham os agentes Tequila (Channing Tatum), Whiskey (Pedro Pascal), Champagne (Jeff Bridges) e Ginger (Halle Berry). Eles precisam unir forças contra a responsável pelo ataque, a traficante Poppy (Juliane Moore), que formulou um plano para sair do anonimato.

O filme começa com uma ótima sequência de ação dentro do já famoso carro da agência Kingsman ao som de Lets Go Crazy do Prince, aliás aproveitando uma tendência/moda muito boa, a de usar música pop anos 80 como trilha sonora (a exemplo de “Guardiões da Galáxia”, “Em Ritmo de Fuga”, “Atômica” e outros).

A trama é bastante simples, combina com o estilo “desenho animado” do filme, que não tem qualquer vergonha de brincar com a ideia de “Espere um pouco, tenho de ir ali salvar o mundo”. É preciso entender esse universo de Kingsman para não ficar problematizando tudo que se vê nele, é uma proposta muito própria, e dentro do contexto desse mundo a grande maioria dos acontecimentos são coerentes (ainda  que nem com esse filtro dê para engolir o retorno do personagem Harry de Colin Firfh).

“Kingsman: O Círculo Dourado”, deixa  um pouco de lado os “trocadilhos” visuais com 007, para virar mais uma aventura com estrutura de vídeo game. Cheio de fases, chefões  e um desfecho inesperado (e discutível).

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Juliane Moore está linda com uma construção interessante de personalidade, algo meio Lex Luthor clássico, mas sem as maquinações complexas do vilão do Superman.  As motivações e repertório da vilã não vão muito além de um terrorismo cartunesco, sem background desenvolvido. Uma pena inclusive, pois o filme é bastante longo e apresenta uma “barriga” considerável no segundo ato, mesmo sem explorar a fundo personagens como a Poppy. Uma das vertentes que melhor funciona com a personagem de Juliane Moore é o humor negro, que está espalhado em vários momentos do longa, mas tem dificuldade em engrenar quando não tem a atriz por perto.

O diretor, Matthew Vaughn (“X-Men: Primeira  Classe”) entende bem do material que tem em mãos, ainda que o roteiro exageradamente infantil ofereça alguns obstáculos difíceis, mesmo para um diretor tão talentoso. Com olhar atento, Matthew deixa  a trilha sonora passar um pouco do ponto, mas coordena uma excelente construção de design de produção, criativa desde os formatos, as  escolhas de cores, assim como tem sucesso em sua ágil edição (quase uma marca registrada), que podemos ver com clareza nas cenas de ação. Cenas estas, que continuam valendo o ingresso, mesmo sem grandes novidades, principalmente quando o personagem de Pedro Pascal está em ação e usa seu laço, que permite alguns movimentos plasticamente divertidos de assistir, ao melhor estilo Beto Carreiro (cowboy).

Channing Tatum, Colin Firth, Taron Egerton, Juliane Moore

De forma geral, é impossível negar que o elenco de “Kingsman: O Círculo Dourado” é um desfile de atores carismáticos e dispostos a brincar com o contraponto da elegância da Kingsman e o estilo mais rústico da Statesman. A maioria funciona bem dentro de suas funções, até mesmo o cantor Elton John, em sua participação especial. A exceção fica para Halle Berry que talvez tenha se levado a sério demais, numa personagem não tão interessante.

Enfim, “Kingsman: O Círculo Dourado”, sofre com um problema muito comum nesse tipo de “franquia inesperada”, ele não sabe lidar tão bem com a atenção que ganhou. Criar expectativas sempre eleva os níveis de exigência e responsabilidade, você vê um orçamento maior sendo justificado no filme com o “agigantamento” das fórmulas utilizadas no primeiro longa, que tinha como ingredientes principais 3 bases: Novidade, Cenas de ação alucinantes e Roteiro criativo, o novo filme consegue emular no máximo uma dessas equações, o que torna “Kingsman: O Círculo Dourado”, uma aventura por vezes divertida, por vezes problemática, mas com certeza, abaixo das expectativas que ela carrega consigo. Confira o trailer e nossa “Chuck Nota”, logo abaixo. (Estréia em 28/09).



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