Crítica | Thor – Ragnarok

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Essa semana tem Marvel nos cinemas, e nada de personagens alternativos, é hora da volta de dois dos Vingadores tradicionais. Sim, o filme é do Thor, mas como não observar que a Marvel também tentou dar um jeito de acalmar os pedidos de um filme solo Hulk!? Uma boa estratégia, pois o público acaba tendo nesse filme, a resposta para o destino de dois dos principais Vingadores.

Em “Thor – Ragnarok”, Thor está aprisionado do outro lado do universo sem seu poderoso martelo e precisa correr contra o tempo e para evitar o Ragnarok — a destruição de sua terra natal e o fim da civilização de Asgard pelas mãos de uma nova e poderosa ameaça, a impiedosa Hela. Mas antes ele deve sobreviver a um duelo mortal numa arena de gladiadores onde seu adversário é um antigo aliado e colega Vingador – o Incrível Hulk!

Enquanto a concorrência patina, a Marvel continua sem brincar em serviço, uns chamam de “não se arriscar”, a Marvel chama de “sucesso”. É um padrão Marvel de qualidade que inegavelmente vários estúdios buscam hoje em dia. “Thor: Ragnarok”, é uma prova de maturidade das produções do estúdio, que já tem noção do que o público quer ver e sabe assimilar as respostas dele.

O filme trabalha logicamente as famosas conexões de universo expandido, mas na medida certa, com referências e participações bastante pontuais, que não atrapalham o ritmo, mas te lembram de onde tudo começou. Esse longa chega num momento onde, inclusive, a Marvel já se dá ao luxo de se auto- referenciar visualmente também, como em reedições de cenas do primeiro Vingadores de 2012. Aliás o filme traz a participação especial hilária de um ator que (ainda) está totalmente fora desse universo de super heróis, e até mesmo por isso, a cena é imperdível.

Apesar de todas essas conexões, “Thor: Ragnarok”, é inegavelmente um filme sobre o mundo do Thor. É claro que acompanhar a Marvel filme a filme, torna tudo mais divertido, e nesse caso, assistir “Vingadores: Era de Ultron”, pode situar melhor o espectador, mas nada que torne o filme descartável para quem não está ligado nesse universo.

A direção mais leve e pegada bem humorada de Taika Waititi (“Loucos Por Nada”), leva o longa para um caminho bem diferente dos anteriores do personagem e parece trazer um pouco mais de personalidade para a própria franquia. É bem verdade, que com isso o Thor dos cinemas, se distancia cada vez mais do Thor dos quadrinhos, algo que também não é muito novo nas adaptações dos personagens para o cinema, mas que pode chatear os fãs mais antigos.

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Taika também comanda a melhor ação de todos os filme do Thor até agora, mostrando domínio e criatividade em cima dos poderes dos personagens. Para começar que o “Deus do Trovão”, finalmente usa trovões como arma de combate, o que é realmente empolgante em alguns momentos, assim como o Hulk que volta a ser o “esmagador” que vimos no primeiro filme dos Vingadores. São muitas cenas de ação épicas, mas destaque para a cena de batalha entre Thor e Hulk, que é bem melhor do que os cansativos trailers mostravam. As coregrafias estão muito bem pensadas, rápidas e esguias, com bom uso dos apetrechos, lembrando alguns dos melhores momentos da série “Game of Thrones”. Para completar, exceto por uma outra cena repetitiva, “Thor: Ragnarok”, também é o filme com os melhores efeitos visuais da trilogia, até com algumas referências a desenhos e animês clássicos, e bons resquícios de “Guardiões da Galáxia”.

O problema que Taika herda e abraça conforme sua característica, são as piadas em excesso para um personagem que é naturalmente formal como Thor, e essa comédia toda, também faz o filme cair numa outra armadilha do universo Marvel, a falta de gravidade dos acontecimentos. Se usam nomes como Era de Ultron, Guerra Civil, Ragnarok, mas parece ser só uma forma de otimizar marcas já conhecidas dos fãs, todo o peso dramático dessas histórias é substituído por um ou outro diálogo mais desanimado, nada que realmente faça jus a gravidade do que está acontecendo (o próprio Ragnarok e outras coisas).

Essa falta de gravidade também nos lembra de outra marca registrada (negativa) da Marvel, o péssimo aproveitamento dos vilões, que parecia ter mudado um pouco com o Abutre do último Homem-Aranha (confira a crítica). Apesar do esforço de construção da ganhadora do Oscar, Cate Blanchet, a personagem Hela, como de costume, surge como uma grande ameaça, praticamente invencível, que vai diminuindo conforme o transcorrer do filme, até se tornar uma típica vilã descartável desse universo.

Hulk Gladiador vs Thor

Hulk vs Thor

Loki continua com bastante espaço e Tom Hiddleston ainda esbanja carisma. É sempre interessante ver como o ator consegue construir um Loki que todos gostamos, mas não confiamos, um anti-herói na verdadeira concepção da palavra que age conforme seus interesses nos momentos mais inesperados e traz sempre algo novo para a trama. Outro personagem que se destaca na história é o “GrandMaster”, vivido pelo icônico Jeff Goldblum (Jurassic Park e Independence Day), que passeia tranquilo, com um excêntrico líder do planeta das lutas de Gladiadores, que é uma divertida mistura de ícones da cultura pop, como Prince e David Bowie. Já, Chris Hemsworth parece cada vez mais a vontade com o Thor, e mostra que se sai melhor na comédia, enquanto o sempre competente Mark Rufallo, arranca boas risadas quando não está transformado no Hulk.

Enfim, “Thor: Ragnarok”, vem numa trilha segura, traçada por “Vingadores” e “Guardiões da Galáxia”, resgata a simpatia por dois dos personagens principais da franquia, entrega uma ação de qualidade e prepara, ainda que timidamente, o terreno para “Vingadores: Guerra Infinita”. Mais um bom entretenimento, que funciona como o planejado… dentro do universo da Marvel. Confira o trailer e nossa “Chuck Nota”, logo abaixo.

OBS: O filme tem duas cenas pós – créditos, uma ligada aos cruzamentos do universo Marvel e outra mais ligada ao próprio filme. Então não vá embora antes de tudo terminar.



 

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