Crítica | Liga da Justiça

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Depois de muitos anos de expectativa e patinadas da DC Comics no cinema, finalmente temos o filme que marca a virada da editora. A DC/Warner encontra na sua Liga da Justiça o equilíbrio para fazer um filme de heróis propriamente dito, sem medo de se divertir e afinal, parecer filme de super heróis.

No filme, alimentado por sua fé restaurada na humanidade e inspirado pelo ato de altruísmo de Superman, Bruce Wayne busca a ajuda de sua nova aliada, Diana Prince, para encarar um inimigo ainda maior. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha trabalham rapidamente para encontrar e recrutar um time de meta-humanos para encarar essa ameaça recém-desperta. Mas apesar da formação dessa liga sem precedentes de heróis – Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Ciborgue e Flash – talvez seja tarde demais para salvar o planeta de um ataque de proporções catastróficas.

O longa começa com o mundo desolado pelo “desaparecimento” do Superman, e emenda para uma cena que , propositalmente, lembra muito a primeira aparição do Batman de Tim Burton, carregando, inclusive, uma nova versão da trilha sonora da época. O que aliás já logo num primeiro momento, podemos identificar como um dos melhores pontos do filme. Um dos nomes mais aclamados das trilhas sonoras de cinema, principalmente entre os nerds, já que ele é responsável por trilhas como “Batman” (1989), “Homem-Aranha” (1999) e várias. Com uma trilha sonora muito alinhada com seu estilo, ele traz o clima das famosas séries animadas da DC , além de fazer releituras impagáveis de trilhas clássicas como a do “Superman”, de 1978.

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“Liga da Justiça”,  é um filme grande, porém simples, roteiro “feijão com arroz”, que funciona. Tem uma introdução do problema, apresentação dos personagens, reunião e ação.  Inclusive, na falta de um filme solo dos personagens para dar o background necessário, o longa encontra uma maneira inteligente de juntar os diferentes mundos, através do pretexto da história das “caixas maternas” ao longo dos tempos, e nessa introdução, ainda traz uma participação especial que os fãs vão surtar. É um filme clássico de equipe, com desentendimentos, e personalidades diferentes que aos poucos vão se completando.

Diferente de alguns de seus antecessores,  “Liga da Justiça” tem muito ritmo, você não sente o tempo passar. É ação do começo ao fim, ótimas lutas, plasticamente bem pensadas e que conseguem utilizar ao máximo os super poderes dos personagens, com destaque para a “redescoberta” de algumas habilidades do Superman dos quadrinhos (que tem as suas melhores cenas nesse filme, desde o início desse universo da DC). E ainda a bela solução visual para os poderes do Flash.

A obsessão de Zack Snyder pela câmera lenta, e o excesso de C.G.I, por vezes prejudicam o clima das batalhas que são bem fotografadas dentro de sua proposta. Mesmo sendo uma história praticamente de “Deuses”, um pouco mais de soluções práticas teriam feito diferença no filme, principalmente na concepção do vilão Lobo da Estepe, que traz consigo uma artificialidade que lembra muito um vídeo game e nos tira um pouco da concentração. A entrada de Joss Whedon (“Os Vingadores”) para finalizar o filme não apaga os traços de Zack Snyder (que ainda é creditado como o único diretor), mas parece que a nova visão, e a junção de estilos funcionou. É possível ver uma injeção de esperança e algumas correções claras de direcionamento que muito provavelmente tenham vindo das mãos de Whedon, assim como vemos a grandiosidade e o carinho pelos personagens, característico de Zack Snyder.

Comissário Gordon (Comissar Gordon), Batman, Flash, Ciborgue (Cyborg), Mulher - Maravilha (Wonder Woman)

A Liga da Justiça se encontra com o Comissário Gordon

Uma das grandes mudanças que já veio no primeiro trailer e se confirma aqui no filme, é que a DC resolveu admitir que o mundo dos quadrinhos tem senso de humor, que crianças e “crianças grandes”, querem se divertir de diversas formas com aquilo e em “Liga da Justiça”, Snyder e Whedon conseguem trazer essa veia sem exageros, na medida certa, em momentos pontuais, com sacadas inteligentes (ouviu “Thor: Ragnarok”??). Sem dúvida um dos grandes responsáveis por essa parte dar certo, é o Flash de Ezra Miller, que a principio pode parecer um pouco excêntrico demais, mas consegue ir se moldando ao filme e chamar para si o alívio cômico. A química e o carisma da equipe também ajuda muito. Ben Affleck evolui do último filme pra cá, e se mostra mais a vontade como Batman, Gal Gadot continua hipnótica como a Mulher – Maravilha, Henry Cavill tem bons momentos como um Superman clássico, Jason Momoa se apresenta como um baita “BadAss”, dá um novo sentido para o Aquaman em ação, e até mesmo o Ciborgue permite a Ray Fisher algumas brechas para mostrar seu talento como ator de teatro. Ainda assim, para otimizar o tempo e garantir empatia, a montagem opta por uma divisão desigual de espaço entre os personagens, para priorizar Batman e Mulher-Maravilha.

Os Easter Eggs e referências são muitos e excelentes. Todos os personagens tem momentos para fazer referência as suas próprias trajetórias na cultura pop, como a série clássica do Batman de Adam West, o Aquaman da animação Superamigos, o Superman de Christopher Reeve (essa de faze os fãs pularem da cadeira) e muito mais.

Enfim, “Liga da Justiça”, é um filme bem diferente de “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”, porque parece que a Warner/DC realmente ouviu as reclamações e discussões (ainda que boa parte delas, tenha sido exagerada na época). Se mantém um pouco do tom realista que deixou a Warner/DC obcecada desde o sucesso do “Cavaleiro das Trevas”, mas a produção se permite entender que está num mundo fantasioso, se permite entender o que as pessoas esperam desses personagens. Se a mão estava pesada para lados diferentes em “Batman vs Superman” e “Esquadrão Suicida”, em “Mulher-Maravilha” a DC já dava sinais claros de que começava a entender seu caminho nos cinemas, e “Liga da Justiça” é um filme que, felizmente, conversa mais com esse último do que com os outros. Um longa que mantém sim, a DC diferente das concorrentes, mas termina com heróis trazendo esperança ao mundo e não com enterros, e talvez fosse disso que a DC precisasse mesmo… Confira nossa “Chuck Nota” e o trailer logo abaixo.

OBS: “Liga da Justiça” tem DUAS cenas pós-créditos, uma no início dos créditos e outra no final de tudo, não perca!



 

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