Crítica | Artista do Desastre

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#Oscar2018

“Artista do Desastre” é um daqueles filmes que não se vende bem pelos trailers ou imagens, mas que em 10 minutos conquista qualquer pessoa aberta a um trabalho de alto nível em termos de cinema.

No filme, Greg (Dave Franco), se aproxima do excêntrico Tommy (James Franco) após uma aula de atuação e os dois desenvolvem uma intensa amizade baseada no sonho em comum, o de fazerem sucesso em Hollywood. E juntos, eles partem para a meca do cinema mundial tentando conseguir a tão esperada oportunidade.

O próprio James Franco dirige o filme, e de uma forma incrivelmente autoral mostra uma faceta que Holllywood talvez ainda não tivesse reconhecido no ator. Firme e criativo, James Franco traz  ironia e acidez para o comando, também muito característicos dos trabalhos como produtor ao lado do parceiro habitual Seth Rogen (que também está no filme), em filmes como o polêmico, “A Entrevista”.

Por trás das câmeras, James Franco brinca com um estilo documental, principalmente a partir do segundo ato do filme que mergulha mais fundo nas produções hollywoodianas. A câmera de Brandon Trost (também grande parceiro de Franco) te faz  participar dos diálogos, você se sente dentro da “ação”, literalmente o espectador fica numa posição privilegiada.

O elenco como um todo é espetacular e ainda conta com participações especiais da “turma do Franco”, mas é inegável que se há algo melhor que a direção de James Franco, é sua atuação. O ator é o alicerce do filme com seu melhor trabalho na carreira, que deveria no mínimo, ser um forte concorrente ao Oscar. Infelizmente, a essa altura, já sabemos que apesar de ter ganhado o Globo de Ouro, Franco sequer foi indicado ao Oscar, o que é realmente uma injustiça. Principalmente, pela visibilidade que essa indicação daria ao trabalho de construção fora do normal que o astro trouxe para “Artista do Desastre”.

James Franco como tommy wiseau

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O filme é bastante imprevisível, e a edição contribui muito para essa sensação. Em determinados momentos o espectador realmente não consegue entender onde tudo vai parar, mas a curiosidade é incessante, e você quer saber mais e mais. Os dois personagens principais são muito bem desenvolvidos, mesmo sem um background que os apoie. É possível entender e comprar a personalidade dos personagens rapidamente, e até mesmo criar empatia por eles. Uma história de amizade confusa, real e palpável, da qual muita gente pode se identificar.

Bem costurado, o roteiro nos deixa na dúvida até o final se aquela bizarra história é realmente inspirada em fatos reais, como diz o primeiro enunciado (aconselho a não procurar saber antes de assistir o filme).

“Artista do Desastre”, oscila entre sátira, humor negro, e porque não dizer, um bom drama também, já que o filme é sobre os bastidores menos glamurosos de Hollywood. Sobre aqueles que jamais vão conseguir chegar ao estrelato, mas mesmo assim alimentam essa esperança, iludidos por sonhos que o próprio mercado cria em torno de sua realidade

Enfim, “Artista do Desastre”, é um daqueles filmes que precisa e merece ser assistido (independentemente do que você pense dele depois). Trata-se de um filme pequeno, que mergulha nos sonhos hollywoodianos com muita inventividade e liberdade, e nos presenteia com, repito, umas das melhores e mais injustiçadas atuações do ano. Definitivamente, o único  “desastre” do filme, ficou no título mesmo… Confira o trailer e nossa “Chuck Nota”, logo abaixo.



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