Crítica | Pantera Negra

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Estréia: 15/02

No ano em que o universo cinematográfico da Marvel completa dez anos de existência, a casa de idéias apresenta uma proposta diferente de protagonista, alinhado com a representatividade dos novos tempos, mas sem fazer apologias forçadas para agradar ao público “mi mi mi” da internet.

Pantera Negra” acompanha T’Challa que, após a morte de seu pai, o Rei de Wakanda, volta para a isolada e tecnologicamente avançada nação africana para a sucessão ao trono e para ocupar o seu lugar de direito como rei. Mas com o reaparecimento de um velho e poderoso inimigo, o valor de T’Challa como rei – e como Pantera Negra – é testado e ele é levado a um conflito que coloca o destino de Wakanda, e do mundo todo, em risco.

O longa começa com um prólogo lindíssimo em animação, com gags visuais africanas e uma paleta de cores muito bem trabalhada, para explicar de forma rápida e objetiva, de onde vem os poderes do Pantera e como é a organização de Wakanda. Logo de início já podemos perceber também que umas das grandes diferenças de “Pantera Negra” para outros filmes da Marvel, principalmente os dois últimos, “Guardiões da Galáxia vol.2” e “Thor: Ragnarok”, é que trata-se um filme muito menos piadista que o de costume, o que dá um tom mais realista aos arcos dramáticos dos personagens. Os momentos de humor são bastante pontuais e de forma geral, concentrados em um outro personagem (possivelmente consequência de algumas interferências da Marvel). Você encontrará algumas poucas referências ao universo Marvel, e a grande maioria vindas de “Capitão América: Guerra Civil”

Nesse sentido, ter Ryan Coogler (“Creed: Nascido para Lutar”) no comando do filme, um dos diretores e roteiristas mais talentosos da nova geração, também foi uma excelente sacada do estúdio. Além de entender um novo público, e a comunidade negra, Ryan Coogler é um ótimo contador de histórias com um domínio de técnicas de cinemas de fazer inveja a muitos veteranos.

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São dois tipos de ação no filme, uma com um exagero de C.G.I, muito característico dos filmes heróis atualmente (independentemente da editora), por causa disso, infelizmente, pouco se vê o Pantera fisicamente, uma pessoa de uniforme (mesmo que seja o dublê) lutando, na maioria das vezes é uma animação, o que é decepcionante para um personagem especialista em artes marciais.

Por outro lado, quando o diretor tem liberdade para filmar as lutas, sem uniformes, no “mano-a-mano”, a história é outra. As belíssimas cenas filmadas na nascente de uma cachoeira são um show a parte. A fotografia brinca com os ângulos para mostrar um certo clima de perigo iminente o tempo todo, o estilo de filmagem dessas lutas lembram não só o trabalho anterior de Ryan (“Creed: Nascido Para Lutar”), mas também alguns dos melhores momentos da série “Game of Thrones”, onde se cria uma expectativa de desfechos pesados para as lutas.

Luta Chala (Chadwick Boseman) e Killmonger (Michael B. jordan)

A direção de arte se aproveita de algumas referências visuais até mesmo da animação “O Rei Leão” (nesse caso, não só visuais), para trazer uma Wakanda que mistura tecnologia com tradição, sem desmerecer nenhum dos dois. O visual de Wakanda lembra as cidades futuristas já mostradas no cinema, em filmes recentes como “Blade Runner 2049” ou até mesmo “Ghost in the Shell: A Vigilante do Amanhã”. Além de um bônus de criaturas extraordinárias que acabam surgindo durante o longa.

Como já se podia ver na divulgação, a trilha sonora é bem puxada para o “street”, misturando muitas vezes o Hip-Hop tradicional com temas orquestrados, o que traz uma personalidade muito própria ao “Pantera Negra”, que também trabalha e respeita as raízes africanas sem mostrar o povo como fraco ou digno de pena. São várias tribos de diferentes estilos, que parecem oferecer um rico universo a ser explorado em próximos filmes, e mostram por cima como funciona a divisão de Wakanda, carregando com elas uma série de metáforas sobre escravidão, principalmente no que diz a respeito ao enfraquecimento e vulnerabilidade dos povos africanos em razão de suas disputas tribais.

A trama principal é simples, mas bem costurada no que diz respeito as viradas e o arco de Erik Killmonger (Michael B. Jordan), ainda que a Marvel continue com certa mania de subaproveitar vilões em seu filmes.

O elenco, formado 90% por atores negros, algo raro nos filmes de super herói, é composto por alguns do melhores nomes da atualidade em Hollywood. Entre os veteranos, destaque para Andy Serkis (trilogia “Planeta dos Macacos”) em um de seus poucos trabalhos de “cara limpa”, mas no mesmo nível de qualidade que já conhecemos, se divertindo com o vilão Ulisses Klaus, apresentado anteriormente em “Vingadores: Era de Ultron”. Na outra ponta, o sempre dedicado, vencedor do Oscar, Forest Whitaker (Rogue One), parece um pouco “overacting”, acima do tom, novamente.

Entre os mais jovens, merecem destaque Michael B. Jordan (“Creed: Nascido Para Lutar”), que repete pela terceira vez a dobradinha com Ryan Coogler, e vende um vilão “badass”, possivelmente um dos mais interessantes e complexos do universo Marvel até agora, e a vencedora do Oscar, Lupita Nyong’o (“12 Anos de Escravidão”) com um carisma incrível, que a faz um bom nome para apostas futuras na ala feminina da editora, que ainda pode contar com as boas participações de Danai Gurira (“The Walking Dead”) e Letitia Wright (“Black Mirror”). Para o Pantera, Chadwick Boseman (da péssima cinebiografia de James Brown) resta não comprometer o filme, ele segura bem nesse sentido.

Enfim, não há dúvidas de que o”Pantera Negra” é uma experiência competente e diferente, tanto dentro do universo Marvel, quanto dos super heróis do cinema em si. Uma aposta que com certeza traz uma excelente mensagem para as crianças negras e carentes do mundo inteiro, que finalmente poderão se imaginar num universo fantástico como o da Marvel, sair por aí pulando e dizendo que são o “Pantera Negra”, um herói que pode encarar qualquer outro e que não é marginalizado, e só por isso, já valeu todo o esforço. OBS: O filme tem duas cenas pós-créditos, não saia da sala antes de tudo acabar. Confira o trailer e nossa “Chuck Nota” logo abaixo…




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