Crítica | Sem Amor

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#Oscar2018

Forte concorrente do Oscar de melhor filme estrangeiro, o russo “Sem Amor”, é um paralelo pesado e eficiente sobre solidão e infelicidade à dois.

Zhenya e Boris estão atravessando um divórcio conturbado, marcado pelo ressentimento, pela frustração e por recriminações. Já começando novas vidas, cada um com um novo parceiro, eles estão impacientes para começar de novo, para virar a página – mesmo que isso signifique algumas ameaças de abandonar o filho de 12 anos, Alyosha. Até que, após testemunhar uma das brigas, Alyosha desaparece

O jeito áspero e frio do diretor Andrey Zvyagintsev, vai de encontro com a necessidade do longa de mostrar consequências e como o mundo gira em vários sentidos até trazer o retorno à vida de qualquer um.

O “Desamor”, do título em inglês traduz muito bem do que “Sem Amor” se trata. É um filme sobre anti-patia, egoísmo e ausência, termos que se observados com atenção, são complementares nessa história.

Concorrente Oscar Filme Estrangeiro

O abismo criado entre o casal prestes a se separar e seu filho, é trabalhado de forma dolorosamente realista e tocante. O desprezo é representado em sua pureza por uma cena específica de cortar corações. O roteiro cuida de administrar o ritmo de forma muito inteligente, para nos fazer entender a urgência da situação apenas quando o próprio casal a entende

Um belíssimo trabalho de fotografia, invade a “empolgação” do casal em suas novas vidas e a negligência quanto as suas responsabilidades do passado (o filho), onde se vê uma disputa de guarda as avessas, que chega a ser estarrecedora. O estilo de câmera acompanha o momento do ex-casal de uma forma a nos deixar literalmente como observadores da situação, quase que por cima dos ombros.

Vale destacar a ótima atuação de Maryana Spivak, que construiu uma personagem que é uma montanha russa de sentimentos, anti-pática e que causa muitas reações nos espectadores durante suas transições.

Enfim, “Sem Amor” é um filme que funciona justamente por não desenvolver o relacionamento dos personagens, e sim o distanciamento entre eles. É como um inverso realista, onde para entender os sentimentos, é preciso entender porque as pessoas não os têm… Confira o trailer e nossa “Chuck Nota”, logo abaixo.



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