Crítica | Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

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Décadas depois de ter servido de inspiração para diversos filmes, a HQ francesa dos anos 60, Valerian, finalmente ganhou seu próprio filme. Com status de maior superprodução da França, a adaptação chega com um espetáculo visual digno de ser visto, apesar de ter dificuldade de desenvolver sua trama principal.

Adaptação da HQ “Valerian: O Agente Espaço-Temporal”, de Pierre Christin, Jean-Claude Mézières e Évelyne Tranlé, o filme narra a história de Valerian e Laureline, uma dupla de agentes espaciais encarregados de manter a ordem em todos os territórios humanos no século 28. Por ordem do Ministro da Defesa, os dois embarcam em uma missão para a surpreendente cidade Alpha – uma metrópole em constante expansão, onde milhares de espécies de todo o universo se reúnem há séculos para compartilhar conhecimento, inteligência e cultura uns com os outros.Há um mistério no centro de Alpha, forças obscuras ameaçam a pacífica existência da Cidade dos Mil Planetas e Valerian e Laureline devem correr para identificar a ameaça e proteger não só Alpha, como o futuro de todo o universo.

Para quem não sabe, a saga de quadrinhos franceses teria inspirado “Star Wars”, algo que George Lucas jamais admitiu, apesar das diversas “coincidências” como a heroína empoderada do espaço com roupas exóticas (Princesa Leah), o vilão que usa máscara para esconder queimaduras (Darth Vader), aventureiro preso num bloco de pedras (Han Solo) e várias referências visuais muito evidentes.

Ironicamente, o filme original de Valerian que vimos, tenta de todas as formas se desvencilhar da identidade de cinema criada por Star Wars, e de outros filmes que pegaram algumas inspirações também (como Avatar), algo bastante difícil considerando todo contexto.

O filme oscila em suas indecisões de se inspirar ou não, em seus “inspirados”, enquanto apresenta soluções visuais realmente surpreendentes. A primeira sequência de “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, é uma ótima mostra do esforço para criação de personagens do filme. O lendário diretor Luc Beson (O Profissional, O Quinto Elemento, Lucy) deixa um pouco sua assinatura mais autoral para fazer algo globalizado, Valerian parte pelo caminho de uma superprodução americana, com muito apreço técnico, atores famosos nos Estados Unidos e algumas tentativas de impressionar pelo impacto das imagens.

Dane deHaan e Cara Delavigne

A boa fotografia de Besson oferece uma experiência de sensações das mais interessantes, inclusive no que diz respeito ao 3D, que tem profundidade e brinca com a capacidade de movimentação das câmeras. Acompanhado de uma trilha sonora que também se distancia de outras aventuras espaciais.

O roteiro de “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” escorrega nas gorduras da história, é um filme mais longo do que precisava ser, e que passa por muitos lugares desnecessários para a trama principal. Algumas ideias politicas e de sociedade são lançadas com bastante sutileza e de forma agradável, assim como o humor, esse não funciona de um jeito tão contundente quanto se encontra nas tiras francesas normalmente, é tudo mais suave.

Encontramos aqui Cara Delavigne que se destaca, com o carisma e esforço de uma modelo tentando se firmar em Hollywood, ao lado de um apagado Dane De Haan que deveria protagonizar o longa como o próprio Valerian em sua mistura de Luke Skywalker com Han Solo, mas acaba perdendo espaço para seu par romântico (e para si mesmo). O longa ainda conta com participações de Clive Owen (“Identidade Bourne”), a cantora Rihanna e Ethan Hawke (“Dia de Treinamento”).

Enfim, “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” é afinal uma aventura espacial divertida, que sofrerá com a comparação a suas próprias criaturas (filmes de Star Wars) e seus próprios deslizes, mas acerta em várias tentativas originais entregando bons momentos, principalmente no que diz respeito a direção de arte e a fantasia que ela será capaz de criar… Confira o trailer e nossa “Chuck Nota”, logo abaixo.



 

 

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