Crítica | It – A Coisa

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Em pouco menos de um mês, chega ao cinemas a segunda adaptação de um livro de Stephen King. Primeiro foi o questionável “A Torre Negra” (confira a crítica), agora foi a vez de “It – A Coisa”, um clássico do terror que já havia sido adaptado num telefilme dos anos 90, com o subtítulo de “Obra Prima do Medo”, inclusive. Com menos “medo” e mais aventura, essa nova versão chega com ares de superprodução, copiando algumas fórmulas que fizeram sucesso recentemente para entregar um competente e provável blockbuster.

No filme,  quando crianças começam a desaparecer misteriosamente na pequena cidade de Derry, no estado de Maine, um grupo de jovens é obrigado a enfrentar seus maiores medos ao desafiar um palhaço maligno chamado Pennywise, que há séculos deixa um rastro de morte e violência.

O início é bastante parecido com o telefilme de 1990, com uma cena que traz poucas mudanças em relação ao original. Fora isso há alguns easter eggs do clássico que com certeza farão quem gosta do filme se mexer na cadeira, a base da historia1e personagens é a mesma, e as similaridades param por aí

Fica muito clara a intenção da produção de emular toda a fórmula de sucesso recente da série “Stranger Things”, da Netflix (que ironicamente, é também inspirada por elementos da obra de Stephen King). Grupo de garotos nerds excluídos, com uma menina avulsa, a velha e boa gangue do bullyng do tipo “rouba lanche”, bicletas pra todo lado, enfim, aqueles elementos de Sessão da Tarde que fizeram de “Stranger Things” um fenômeno da internet. Justamente pelas inspirações de ambos, como adaptação  (já que não foi Stranger Things que criou isso, e sim, trouxe de volta ao holofotes), também podemos ver referências a clássicos como “Goonies” ou “Conta Comigo”. Na parte de terror o filme também bebe de muitas fontes e conseguimos identificar cenas que fazem citações a “Carrie – A Estranha”, “Poltergeist – O Fenômeno”, “Os Fantasmas Se Divertem” e até mesmo, o Drácula dos anos 30, com Bela Lugosi.

Repare que coloquei as referências de terror em segundo plano, porque se houvesse uma classificação dentro do filme, elas assim estariam. É claro que há terror, e quando o filme vai por esse viés, é muito assertivo. Não fica apelando para “jump scare”, nem jogando cenas “gore” (nojentas), na cara do espectador o tempo todo. O palhaço Pennywise pode soar meio caricato no início, mas é preciso entender que é algo inerente a ele, faz parte da construção, acima de tudo, Pennywise é um palhaço e ter um humor (mesmo que negro), é natural. Nesse sentido o ator Bill Skarsgård (“Atômica”), acerta em cheio no tom da interpretação que imprime ao vilão. Por isso mesmo, na primeira metade do filme, sentimos falta de mais intervenções de Pennywise, de mais terror, efetivamente, algo que vem em menos quantidade do que se espera.

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Colaborando com essa tese, os melhores diálogos de “It- A Coisa” estão mais voltados para a comédia. O elenco infantil facilita essa boa troca de falas, já que em sua maioria são talentosos e contam com uma boa direção de elenco, nas mãos de Andy Muschietti (“MaMa”). O destaque entre as crianças fica para Finn Wolfhard, “coincidentemente” um dos protagonistas da série “Stranger Things” e Jeremy Ray Taylor (“Alvin e os Esquilos: Na Estrada”), que vão muito bem nas transições de humor e terror. O único que realmente fica abaixo do restante, é Jaeden Lieberher (“Um Santo Vizinho”), que tem o papel de líder do grupo, mas não consegue entregar de forma convincente nem mesmo a gagueira que entendemos que o personagem tem.

O longa tem um pouco de “gordura” na trama, sem duvidas poderia ser mais curto, mas acaba perdendo tempo com algumas situações repetidas e inserções de dramas que não tempo para ser desenvolvidos, como a relação conturbada de quase todas as crianças com os pais.

it a coisa cena (It scene)

O design de produção assinado por Claude Paré (“Planeta dos Macacos: A Origem”), é excelente e pra começar nos coloca nos anos 80 de forma muito orgânica, sem forçar a barra, além do próprio visual do Pennywise que funciona em tela, acabando com as desconfianças das primeiras imagens. Trilha sonora e fotografia não apresentam muitas novidades, como dito no início desse texto, o filme inteligentemente vai buscar muitas fontes para finalizar um produto redondo, sem riscos, a parte técnica funciona a serviço dessa proposta mais burocrática da “aventura de terror”, e com exceção de alguns deslizes de montagem que te tiram brevemente do clima, não há o que reclamar.

Enfim, “It – A Coisa”, aproveita seus elementos de sucesso quase garantido para pisar em “terreno firme” nos cinemas, e sobrar num cenário de filmes de terror altamente lucrativos. É um filme que conversa com diversos públicos (maiores de idade), e entrega a fórmula perfeita do blockbuster, com personagens carismáticos (tanto heróis quanto o vilão) e um cruzamento de gêneros (aventura e terror), equilibrado e competente, ainda que diferente do que o espectador possa estar esperando. Confira o trailer e nossa “Chuck Nota”, logo abaixo.


 

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