Mogli-O-Menino-Lobo

Mais uma adaptação dos filmes clássicos da Disney para Live Action , você poderia dizer… mais um filme lançado em 3D para nos tirar dinheiro, você poderia dizer… mais um filme de animais falantes, você poderia dizer… mas se você disser qualquer uma dessas frases não é de Mogli – O Menino Lobo que você está falando…

O filme gira em torno do jovem Mogli (Neel Sethi), garoto de origem indiana que foi criado por lobos em plena selva, contando apenas com a companhia de um urso e uma pantera negra. Baseado na série literária de Rudyard Kipling escrita por volta de 1890.

Logo nos primeiros momentos do filme temos de arrumar um bom babador diante da grata surpresa (nem tanto pra quem viu o trailer) com os efeitos visuais lindíssimos, um show de cinema. Um filme claramente pensado para o 3D, cada cena causa um encantamento diferente enquanto a fotografia nos faz passear pela floresta numa viagem inexplicável. O diretor Jon Fraveau (Homem de Ferro) e sua equipe mostram a beleza de seu trabalho dos mais diversos ângulos, transformando a mais simples subida de montanha de Mogli numa criativa e divertida aventura para o espectador que se vê totalmente envolvido. Os personagens são realistas e a floresta muito orgânica, e nesse momento é importante dizer que exceto pelo ator principal Neel Sethi (escolhido entre milhares de crianças no mundo), quase tudo que se vê no filme é criado em C.G.I e animação 3D, mesmo as interações entre Mogli e os animais (destaque para essa excelente cena entre Mogli e sua mãe lobo).111549--mogli-o-menino-lobo-620x0-2

O roteiro tem suas comodidades, mas é bem redondo, segue a história original e, sem necessidade de maquiar problemas, usa todos os seus recursos técnicos para enriquecer a experiência que muitos já tinham com o clássico.

Mogli – O Menino Lobo é uma grande aventura de ação repleta de cenas empolgantes e ágeis embaladas por uma mixagem de som perfeita, que juntou a reprodução dos mínimos sons da floresta com a crescente trilha sonora ao melhor estilo O Rei Leão com Indiana Jones. Apesar de manter uma aura de animação clássica, o longa também oferece certa dramaticidade e perigo na medida certa, não tão tenso quanto As Aventuras de Pi (que será um dos primeiros filmes que lhe virão a cabeça), mas intenso o suficiente para que você consiga temer por Mogli e seus amigos durante as aventuras.

O pequeno Neel Seth mostra porque venceu uma disputa mundial pelo papel, o jovem americano (sim, ele é americano), pegou o espírito do personagem, desde de seu jeito mais inocente até o andar de quem aprendeu a andar extintivamente e não observando os adultos.

A construção dos personagens também é destaque, mesmo que alguns deles tenha pouca participação. Caso da cobra Kaa que é inserida inteligentemente para ajudar a entender as origens do menino lobo e nos trazer aquela sensação de mitologia da história, tipo “caramba ela apareceu, é aquela cobra do livro/desenho”. É engraçado ver que ao tempo que os personagens tem todo um jeito humano de agir e falar, percebe – se (como de costume) um estudo fora de série dos produtores da Disney para reproduzir os movimentos e torná-los realmente animais, Baloo é com certeza o exemplo mais marcante, um típico figurão preguiçoso a cantar sua famosa canção pela floresta, mas que em nenhum momento deixa de parecer um grande e perigoso urso.

Enfim, Mogli – O Menino Lobo consegue algo inédito ao recontar praticamente a mesma singela história da animação dos anos 60, com espirito do clássico, mas com uma originalidade e capricho que serão inesquecíveis para essa nova geração. O filme não tem grandes pretensões de dar lições e mais lições, o diretor Jon Fraveu e a Disney souberam entrar de cabeça no “Jungle Book” e entender que as vezes para apresentar um grande trabalho é preciso se concentrar no ” ♪ ♫ ♩ necessário, somente o necessário… o extraordinário é demais ♫ ♭ ♪”… Confira nossa Chuck Nota logo abaixo…4 Norris